EMMA

Testemunho de uma Voluntária – Emma Augustin

Como é ser voluntária em Ananda Valley?

Pensei nesta questão durante alguns dias e sinto que é quase impossível responder a de uma maneira satisfatória. É claro que eu agora podia dizer quem sou (Emma, 25 anos, da Alemanha), como encontrei este lugar (workaway), como cheguei aqui (pedindo boleia) e enumerar as coisas que tenho feito aqui (mulching, monda, mulching, monda – isto é a agricultura biológica, queridos!), mas não penso que isso faria justiça ao tempo que aqui tenho passado e à experiência que estou a viver. Então, por onde vou começar? Talvez pelo facto de que o meu plano original era ficar apenas um mês – ou menos – e agora passados três meses eu não tenho ideia de onde foi o tempo. Talvez pelo facto de eu me levantar todas as manhãs às 6h30 para cantar o mantra (kiirtan) e fazer meditação, mesmo que eu ainda esteja completamente convencida de que a espiritualidade não é a minha praia. Talvez pelo conflito interno em curso que eu sinto, entre querer ficar para sempre e a necessidade de fugir o mais rápido possível. Talvez pela minha enorme gratidão e respeito pelas pessoas que administram este lugar. Talvez pelo meu ceticismo em relação a uma prática espiritual baseada nas palavras de um mestre espiritual (Guru) Indiano que morreu há 30 anos. Talvez pela alegria e bem-aventurança que sinto todos os dias enquanto observo pequenas interações humanas e percebo que todos estão a fazer o seu melhor. Talvez pela sensação geral de não ser livre por não poder comer o que quero (dieta senciente (sem ovos, alho, cebola, cogumelos, etc.) permitida na casa), por não poder andar sem roupas quando quero (algumas pessoas aqui vivem em celibato) e por raramente encontrar tempo e espaço para mim (aqui estão muitas pessoas e há sempre alguma coisa a acontecer !!). Ou talvez por eu estar totalmente impressionada e inspirada todos os dias sobre como as pessoas podem ser prestativas e atenciosas.

Sabes, este não é um lugar fácil para mim.

Ao longo dos últimos três meses, enfrentei muitas lutas e desafios pessoais e interpessoais. Viver tão perto de outras pessoas é um desafio para mim de várias maneiras todos os dias. Fico com raiva, confusa e chateada, perco a paciência e a minha calma, entro em conflitos e discussões quentes e – o mais importante – cresço. Os meus hábitos e padrões foram revolucionados, aprendo novas perspectivas de vida, experimento coisas novas, falho e sou bem-sucedida e cresço, cresço, cresço trabalhando e vivendo aqui com todas estas pessoas bonitas, tendo a oportunidade de aprender a meditar, de receber todas as coisas incríveis que este lugar tem a oferecer e de me inspirar com este modo de vida especial, que inclui perspectivas espirituais, sociais e ambientais. E é isto que me faz ficar por aqui, além de todas as lutas e ceticismo que há em mim. Se estás à procura duma comunidade hippie sem regras e amor livre, provavelmente este não é o teu lugar. Além disso, se quiseres aprender muito sobre permacultura, poderás decepcionar-te. Mas se procuras crescimento e desenvolvimento pessoal, se estás disposto a abrir-te e experimentar coisas novas, se desejas experimentar a vida numa comunidade e partilhar uma visão de como poderia ser um mundo melhor, Ananda Valley é uma oportunidade incrível. Há tantas coisas para descobrir e explorar e as pessoas aqui apoiar-te-ão de todas as maneiras que puderem. Eles terão tempo para responder a todas as perguntas estúpidas que possas ter, não hesitarão em partilhar tudo o que têm para te curar, quando não estiveres bem. Eles fornecerão tudo o que precisas e muito mais para ser feliz e saudável, sem nunca esquecer a sua visão (e missão!) para criar um planeta e um futuro melhor. Muito obrigado, a todos! Apesar de ainda estar aqui, já consigo sentir que este lugar moldará e influenciará a minha maneira de pensar, viver e sentir.

Emma Augustin

21 maio 2020