Testemunho de um Voluntário – Paul

Como escrever o “Testemunho de um Voluntário” à cerca de Ananda Valley? Esta é uma pergunta difícil, eu diria.
Na minha opinião, Ananda Valley é um lugar que precisamos conhecer pessoalmente para sentir e entender. É realmente difícil colocar a magia e a energia que este lugar irradia em palavras. Mas darei o meu melhor aqui.
Então, quais são os ingredientes de um dia normal em Ananda Valley, se queremos enlaçar alguns factos?
Kiirtan e Meditação:
Todos os dias há a oportunidade de participar na meditação em grupo (agendada 2 vezes por dia) com Kiirtan ao vivo no inicio. Esta oferta é totalmente voluntária. O que torna essa oferta tão boa, pelo menos para mim, é o facto de me proporcionar uma base que facilita a criação da disciplina e preparação para as minhas práticas espirituais. E não importa que tipo de meditação se faça. Não há problema se tiveres a tua prática espiritual pessoal (como eu tenho). Não é preciso seguir a tradição da Ananda Marga para ser igualmente bem-vindo e bem tratado. Aliás, isto é algo que eu gostaria de destacar. Embora a tradição da Ananda Marga seja super forte neste local e os moradores a levem muito a sério, há sempre espaço ou um ouvido aberto para discussões, sendo crítico ou dizendo abertamente: “Eu tenho uma opinião diferente”. Continuas a ser
igualmente bem-vindo e bem tratado como todos. Este facto prendeu a minha atenção muito rapidamente e transmitiu-me confirmação:
Este é um bom lugar, com pessoas boas que realmente fazem o que dizem! Amar e servir o mundo!
Trabalho:
Como voluntário, trabalham-se 5 dias por semana na chamada “Unidade Mestre”, que é basicamente uma quinta.
Maioritariamente, fazemos trabalho clássico de jardinagem, diria eu. Isto significa muita monda, cobertura de solo (mulching), preparação de camas, transporte de coisas, colheita de frutas (no verão) e assim por diante. Às vezes, isto pode ser um pouco monótono, mas como o ambiente de trabalho é super amigável, não é assim grande coisa. De referir que se fores um trabalhador qualificado (por exemplo, jardineiro, carpinteiro), és recebido de braços abertos e as pessoas realmente têm em conta a tua opinião. Se tiveres as tuas próprias ideias gostavas de concretizar, as pessoas têm disponibilidade para te ouvir e apoiam-te.
Viver juntos:
Ananda Valley é uma Comunidade. Isto significa que vives junto com muitas pessoas diferentes. É difícil dizer quantas pessoas realmente moram aqui. Estão sempre indo e vindo e, como a Comunidade Ananda Marga é uma comunidade global e está muito bem estabelecida em Portugal em diferentes locais, não é tão fácil de dizer. Enquanto eu cá estava hospedado, tínhamos cerca de 15 pessoas na casa principal e talvez outras 15 pessoas morassem nos seus próprios lugares, nas redondezas. Para mim, o formato de uma comunidade provou ser um catalisador super forte para meus processos internos. Aprendendo a conviver com pessoas diferentes diariamente,
aprendendo a respeitar um ao outro, mesmo que pareçam muito diferentes de nós, sendo confrontados com muitos medos relacionados com a sociedade, mantendo contato com meu eu interior, etc. Para além das atividades do dia a dia de conviver como trabalhar, comer e meditar juntos, também existem diferentes “atividades” semanais em grupo.
Há uma “Reunião de partilha” uma vez por semana, onde todos podem partilhar o que está a acontecer ou incomodar no momento, há a chamada “Aula do Dada”, onde o monge residente explica alguma filosofia da Ananda Marga, há a “Meditação Coletiva” na cidade vizinha da Covilhã e, claro, “Noite de cinema à sexta” (o meu preferido!). Uma vez por mês, há também a oportunidade de fazer uma caminhada, principalmente nas montanhas próximas.
Bem, penso que poderia escrever sem parar, mas provavelmente iria perder-te como leitor. Então, para resumir:
Sou muito grato por ter encontrado este lugar muito especial. Acabou por ser exatamente o que eu precisava. Conheci muitas pessoas que se tornaram amigas, aprenderam muito sobre mim. Isto proporcionou-me a criação de uma estrutura para eu, honestamente, me encarar, superar os meus medos internos (ainda a trabalhar neles 😉 ) e aprender a amar-me e aos demais. Deixarei este lugar com uma sensação geral de cura interior.
Lembra-te de que teu campo de aprendizagem aqui provavelmente não será o da jardinagem ou agricultura (mesmo que também seja), mas muito provavelmente serás tu mesmo! Pelo menos, foi para mim.

Paul